© 2019 por A Psicóloga Sara Ferreira

testemunhos

Aqui partilho algumas mensagens de gratidão que venho recebendo da parte dos meus (queridos) pacientes, com alguns comentários meus, para contextualizar. São apenas alguns dos muitos testemunhos do sucesso terapêutico de casos clínicos que, por um motivo ou outro, foram também para mim particularmente especiais, em termos do seu processo e acompanhamento.

Acompanhar a J. em psicoterapia foi um processo muito interessante, desafiante e não menos estimulante (e até mesmo, em alguns momentos, “maternalizante”). O tratamento de pacientes que, em função de terem sofrido falhas precoces no desenvolvimento emocional, apresenta, muitas vezes, necessidades especiais. Mas este conhecimento clássico não diz tudo quanto à beleza e riqueza de recursos pessoais, evidenciando a importância da criação e permanência de um vínculo terapêutico distinto, particular, capaz de fazer oposição a contextos e mudanças ambientais por mais regredidos que sejam ou tivessem sido. Mas mais do que interessante, a nossa “odisseia” foi apaixonante, complexa, terna e… poética. Para dizer o mínimo. 

Por incrível que pareça, como psicoterapeuta, sinto-me muito feliz e realizada quando avalio que me vou tornando desnecessária para o meu paciente, com o passar do tempo. E voltando aos conceitos “uterinos”, não deveria ser assim para toda a “boa mãe”?  :-) Por mais estranho que possa soar, devemos saber qual é a hora de “soltar” a pessoa, uma vez que se isso acontece é tão somente por percebemos que ela adquiriu as próprias “asas para voar”. E isso não é tudo? Afinal, o que significa isso senão que o nosso trabalho foi bem feito? Deveríamos saber reprimir de vez o impulso natural (e lá está, de certa forma, materno) de querer colocar a cria debaixo da asa, e protegê-la de todos os erros, tristezas e perigos. Mas uma vez mais, não percamos o foco do essencial: se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária!

A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. E, mesmo tratando-se de um vínculo que obedece a uma natureza e regras específicas, uma boa relação terapêutica, na sua essência mais profunda, é uma relação de amor.

Termino parafraseando, com especial comoção, a minha (agora já ex-) paciente J., neste lindo bilhete de Agradecimento que ela teve a humanidade de me oferecer:

“Obrigada por me ter mostrado o caminho para mim.
Em mim encontrei o caminho para o Amor.
Com muito amor,
J. A.”

OBRIGADA  <3

Como eu costumo dizer, se há coisa altamente gratificante para mim, enquanto psicóloga, é dar por terminado um processo psicoterapêutico. Dar “alta” para mim é tão somente o culminar de uma jornada épica, muitas vezes, em que “devolvemos” a pessoa ao mundo (bem) melhor do que como aqui, no consultório, ela entrou. 

Este é um dos maiores desafios dos profissionais “psi”, porque mexe muito com questões de auto-estima, de “ego” inflado, etc.. Temos que saber quando é a hora certa de sair de cena. E se essa avaliação acompanhar os sentimentos do paciente, que se mostra confiante o bastante para tentar sozinho, tanto melhor. Muitas vezes também acontece os pacientes darem-se “alta” prematura a eles próprios como resistência à terapia, algo que pode frustrar muito os psicólogos, mas temos de compreender que só podemos levar o cliente até onde ele quer ir. Geralmente, a “alta” acontece quando a pessoa tiver superado totalmente aquilo que a levou à terapia. E foi isso, justamente, que aconteceu com a R.

Neste caso, ela deixou-me aqui o seu testemunho enquanto mais um cliente satisfeito.  Gestos de reconhecido agradecimento como este não acontecem todos os dias e o mais delicioso é, por vezes, virem de quem menos esperávamos…) Obrigada eu à R., por darem sentido à minha missão, bem como a todos os “meus” Bravos que chegam, ficam e vencem através desta arte sublime que se chama psicoterapia.

Enfim,  em resumo, e em alusão à mensagem / bilhete da G., uma coisa é certa: os "Projectos" dos meus pacientes meus projectos são...