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  • A Psicóloga Sara

Como Saber Quem EU SOU? - Descubra Se Você Se Inclui na Sua Própria Vida


É muito comum e, de resto, bastante próprio da nossa experiência enquanto pessoas (seres humanos, boa gente!) vivermos os dias numa espécie de limbo, como que “entre o céu e a terra”.


Por um lado, sentimos impulsos de “cima” (descobrir, conhecer, reflectir, transcender, religar), por outro estamos enraizados em “baixo” (sobrevivência, sentir, agir, reagir, apegar, manter).


Tanto uns como outros são absolutamente necessários para “juntar” aquilo que são as experiências “desta vida” e conferir união e função àquela peçazinha que pelo meio ali se encontra: o Eu!! Corpo e Mente. Matéria e Espírito. Talvez seja interessante perguntar se será possível a resolução deste aparente paradoxo?


E se “eu” conseguisse ser simultaneamente espiritual “e” prático?
Imaginativo "e" lógico?
Simpático “e” afirmativo?
Tolerante “e” assertivo?
Criativo “e” responsável?
Divertido “e” cumpridor?
Leal “e” apaixonado?

Enfim, conciliar as eternas dualidades que por vezes tanto nos consomem…


Confiámos durante muito tempo nas instituições ou nos sistemas políticos, ciência, tecnologia, religião, economia global, sociedade, Nações Unidas e acreditámos que elas podiam resolver tudo onde outros antes falharam.


Porém, vemos que nem por isso o mundo se tornou um local mais agradável ou seguro ou confiante ou que as pessoas, por mais gadgets que encontrem à disposição nem por isso estão hoje mais satisfeitas, aptas ou felizes.

Significa isso que devemos desistir da sociedade ou das pessoas? Nem por isso. E de si mesmo? Já desistiu?


Ter uma compreensão que “uma coisa” não exclui “a outra” é fundamental para no meio de tudo isso; de tanto verso e reverso, de tanto pró e tanto contra, de tanto bit ou tanto bite não perdermos o fio à meada e nos equilibrarmos ou articularmos por entre as divergências, dualidades ou oposições.


Por outro lado, ao invés de nos tornarmos insensíveis e indiferentes, pelo contrário, até podíamos desenvolver um sentimento de responsabilidade e compaixão acrescidos. De outra forma, porém, às vezes não somos capazes de ver as ilusões criadas pela nossa vida quotidiana porque não temos a coragem de fugir do circuito ao qual estamos ligados. Do género, uma pessoa achar (mesmo sabendo que não é por aí) que mantendo as coisas tal como estão que irá dar em breve a um sítio melhor, mantendo o rumo que sempre seguiu.


É como que se entrássemos num labirinto e lá dentro fizéssemos (e conhecêssemos) sempre o mesmo percurso e ainda assim acreditar que poderemos encontrar novas direcções.

Simplesmente, às vezes se não alteramos qualquer tipo de “coordenada” ao nosso trajecto é por acharmos que teremos demasiado a perder. Receamos perder. Amigos, família, emprego, e sabe-se lá que mais.


Porém, paradoxalmente quem está disposto a perder tudo ganha qualquer coisa, mas quem não está disposto a perder nada está submetido a tudo. Quem dá poder sobre si é sempre você mesmo.


No entanto, raramente lemos mais do que um único lado da “verdade” e, nas poucas ocasiões em que isso acontece é habitualmente em letras microscópicas.


No fundo, muitos de nós “afeiçoam-se” de tal forma às próprias ilusões que criam e desenvolvem um excessivo “orgulho” pela sua aparência ou a “máscara” que dão de si. Pensando que essa “máscara” somos realmente nós.

Por vezes, ainda, quanto mais discrepante é o “deve” e o “haver”, a “bota” e a “perdigota” nos mais variados aspectos da pessoa ou da sua vida real, mais se esforçam por reforçar e alimentar essa “máscara”, aliviando-se momentaneamente numa espécie de fachada, vazia e inconsequente, que de forma ilusória e infantil se parecem orgulhar de manter, por mais que a saibam frágil e perecível e, no fundo, absolutamente inadequada ou até incapacitante. Acabando continuadamente na água, sem nada a que se agarrar e sem saber nadar… E bom! Fico-me por aqui. ;)


Para conseguir a resposta à pergunta do título acima:


Primeiro: é preciso descobrir o que o afastou de si mesmo.

Segundo: para alcançar o verdadeiro Eu é preciso identificar quais são as suas máscaras.


É importante abrirmos as nossas mentes para não nos conformarmos com o que é cómodo ou só com aquilo a que estamos habituados. Isso ajuda muito a sabermos ter coragem para ir mais além e não ficarmos presos dentro dos limites habituais (sejam eles quais forem).

Se o conseguirmos (ou quisermos) fazer, cedo reconhecemos que o dar “o passo em frente” é ridiculamente simples.


Talvez seja a hora de, em vez de sermos “exclusivos” na forma de pensar, sentir e agir, passarmos a ser mais “inclusivos” e a fazer interrogações mais práticas entre as nossas grandes ou pequenas dúvidas e dualidades pessoais.


Ou, noutras palavras, unindo, integrando, amando e curando mais… Corpo e Alma. Sentir e Pensar. Energia e Matéria. Razão e Coração.


"Conhece alguém as fronteiras à sua alma, para que possa dizer - eu sou eu?" (Livro do Desassossego, Bernardo Soares, heterónimo de Fernando Pessoa)



Entretanto, entre isto e aquilo... Entre o Tanto.

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© 2019 por A Psicóloga Sara Ferreira